ODS 4 e juventude: como a educação de qualidade constrói um futuro mais justo
O ODS 4 — Educação de Qualidade integra os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e estabelece um compromisso global: assegurar educação inclusiva, equitativa e de qualidade e ampliar oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.
Isso inclui garantir acesso e permanência na escola, mas não termina aí. As metas oficiais do ODS 4 também tratam de educação profissional, formação técnica, desenvolvimento de habilidades para o trabalho, redução das desigualdades educacionais e acesso de pessoas em situação de vulnerabilidade às oportunidades de aprendizagem.
Para quem trabalha com juventude, essa visão é especialmente relevante. Educação de qualidade também significa criar condições para que adolescentes e jovens desenvolvam repertório, competências e possibilidades para continuar estudando, entrar no mercado de trabalho e fazer escolhas sobre o próprio futuro.
O que é o ODS 4?
O ODS 4 faz parte da Agenda 2030, compromisso adotado pelos países-membros das Nações Unidas em 2015. Ele reúne dez metas relacionadas a diferentes etapas e dimensões da educação.
Entre elas, algumas dialogam diretamente com a juventude:
- A meta 4.3 busca ampliar o acesso à educação técnica, profissional e superior de qualidade
- A meta 4.4 prevê aumentar o número de jovens e adultos com habilidades relevantes para emprego, trabalho decente e empreendedorismo
- A meta 4.5 trata da redução das desigualdades de acesso à educação e à formação profissional
- A meta 4.7 inclui conhecimentos relacionados a direitos humanos, diversidade cultural, cidadania e desenvolvimento sustentável
Portanto, falar em ODS 4 e educação não significa olhar somente para matrículas escolares. O objetivo combina acesso, aprendizagem, equidade e formação ao longo da vida.
No Brasil, o Inep participa da estrutura de monitoramento das metas educacionais da Agenda 2030 ao lado do IBGE e de organismos internacionais. A página oficial sobre acompanhamento do ODS 4 no Brasil explica como o país participa desse processo.
O acesso avançou, mas as desigualdades permanecem
Houve avanços importantes desde a criação dos ODS. Segundo o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2024/2025 da UNESCO, 110 milhões a mais de crianças e jovens passaram a frequentar a escola desde 2015 e 40 milhões a mais chegam hoje à conclusão do ensino secundário.
Ainda assim, 251 milhões de crianças e jovens permanecem fora da escola no mundo. A diferença entre países também é expressiva: 33% das crianças e jovens em idade escolar dos países de baixa renda estão fora da escola, diante de 3% nos países de alta renda.
O dado ajuda a entender por que qualidade e equidade aparecem juntas no objetivo. Aumentar a oferta educacional sem observar quem consegue acessar, permanecer e aprender pode manter parte das desigualdades existentes.
A mesma lógica vale para a juventude e o mercado de trabalho. Oferecer formação profissional faz diferença, mas é preciso considerar quem consegue chegar a ela, quais conhecimentos são oferecidos e se a formação dialoga com oportunidades reais.
Educação de qualidade também acontece além da escola
A escola ocupa um lugar central na garantia do direito à educação, mas a própria Agenda 2030 reconhece outras formas de aprendizagem.
A meta 4.3 acompanha a participação de jovens e adultos em educação e formação formal e não formal. A meta 4.4 olha especificamente para habilidades técnicas e profissionais relacionadas a emprego, trabalho decente e empreendedorismo.
Esse recorte cria espaço para iniciativas de educação complementar, capacitação profissional, cultura e outras experiências formativas desenvolvidas por organizações sociais.
Não se trata de substituir a escola. Projetos sociais podem atuar de forma complementar, oferecendo experiências que aprofundam determinados conhecimentos ou aproximam jovens de áreas às quais teriam menos acesso.
Um curso de informática pode desenvolver competências digitais. Uma formação profissional pode apresentar diferentes ocupações. Uma atividade cultural pode ampliar expressão e repertório. Uma mentoria pode aproximar um jovem de profissionais e ambientes de trabalho que ainda não fazem parte de sua rede.
É justamente a combinação entre diferentes experiências educativas que amplia as possibilidades de aprendizagem.
Qual é a relação entre ODS 4, juventude e mercado de trabalho?
A relação aparece de forma bastante objetiva na meta 4.4: até 2030, os países devem aumentar significativamente o número de jovens e adultos com habilidades relevantes para emprego, trabalho decente e empreendedorismo .
Isso não significa reduzir educação a empregabilidade. O ODS 4 contempla formação humana, cidadania, direitos, diversidade e aprendizagem ao longo da vida. Mas reconhecer a dimensão profissional é necessário porque a transição entre educação e trabalho ocupa uma etapa central da juventude.
Para jovens que tiveram menos acesso a cursos, equipamentos, idiomas, redes profissionais ou outras experiências de formação, essa transição pode ser ainda mais difícil.
Nesse contexto, a qualificação profissional ajuda a reduzir parte da distância entre o que uma pessoa já sabe e aquilo que determinadas oportunidades exigem. Para produzir resultados consistentes, porém, ela precisa caminhar junto com políticas públicas, geração de empregos e empresas dispostas a criar portas de entrada adequadas a quem está começando.
Como empresas podem contribuir com o ODS 4?
O ODS 4 não é responsabilidade exclusiva das empresas. Garantir o direito à educação é, antes de tudo, responsabilidade dos Estados. Isso não impede que o setor privado participe da agenda por meio de suas práticas, investimentos e parcerias.
O Pacto Global da ONU aponta diferentes caminhos para a contribuição empresarial ao ODS 4, incluindo oferta de treinamento, desenvolvimento de habilidades profissionais, apoio a programas educacionais e iniciativas voltadas especialmente a grupos com menor acesso a oportunidades. Também recomenda que essas ações sejam construídas em parceria com governos, organizações da sociedade civil e instituições educacionais.
Na prática, uma empresa pode contribuir ao:
- Financiar programas de educação e capacitação
- Oferecer mentorias e voluntariado de competências
- Apoiar formação técnica e digital
- Criar oportunidades de aprendizagem profissional e primeiro emprego
- Compartilhar conhecimento sobre mudanças e necessidades do mercado
- Construir parcerias de médio e longo prazo com organizações especializadas
O ODS pode funcionar como referência para estruturar e comunicar esses compromissos, mas associar uma iniciativa ao ODS 4 não basta para demonstrar resultado . Empresas também precisam definir objetivos, acompanhar indicadores e verificar o que mudou para o público participante.
Esse cuidado evita que os ODS sejam usados apenas como ícones em apresentações de sustentabilidade.
Como a atuação da Vida Jovem se relaciona com o ODS 4?
Na Vida Jovem, trabalhamos com educação complementar e desenvolvimento de adolescentes e jovens por meio de três frentes: Capacitação, Cultura e Mentoria Social.
Nossa atuação possui relação especialmente próxima com as metas 4.3 e 4.4 do ODS 4, que tratam de formação profissional e desenvolvimento de habilidades para o trabalho. Também dialoga com a meta 4.5 ao priorizar jovens em situação de vulnerabilidade social e com a meta 4.7 por meio de experiências relacionadas à cultura, convivência e formação humana.
Na capacitação, oferecemos cursos em Administração, Manutenção de Computadores, Web Design e Hotelaria e Turismo, além de conteúdos como inglês, informática, raciocínio lógico, comunicação e práticas de gestão.
Na Mentoria Social, aproximamos jovens de profissionais de empresas parceiras para ampliar referências sobre currículo, comportamento profissional e cotidiano do trabalho. Já o Vida Jovem Cultural utiliza dança, música, teatro e integração criativa como espaços de aprendizagem e expressão.
Não afirmamos que uma organização social, isoladamente, "cumpre o ODS 4". Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são compromissos amplos, que dependem de políticas públicas e da atuação articulada de diferentes setores. Nosso trabalho pode contribuir para metas específicas dentro dessa agenda.
Essa precisão importa tanto para nós quanto para empresas que desejam relacionar seus investimentos aos ODS.
Perguntas frequentes sobre ODS 4
O que é o ODS 4?
O ODS 4 é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável dedicado à educação. Seu propósito é assegurar educação inclusiva, equitativa e de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas as pessoas.
Qual é a relação entre o ODS 4 e a juventude?
Diversas metas tratam diretamente dos jovens, incluindo acesso à formação técnica e profissional, desenvolvimento de habilidades para trabalho e empreendedorismo e redução das desigualdades educacionais.
Educação não formal contribui para o ODS 4?
Pode contribuir. O próprio sistema de indicadores do ODS 4 considera participação em educação e formação formal e não formal. A contribuição depende dos objetivos, público e resultados da iniciativa.
Como empresas podem contribuir para o ODS 4?
Empresas podem apoiar programas educacionais, financiar capacitação, oferecer mentorias, criar oportunidades profissionais e formar parcerias com organizações sociais. Para demonstrar contribuição, é recomendável relacionar as ações a metas específicas e acompanhar resultados.
Uma ONG pode dizer que "cumpre o ODS 4"?
É mais preciso afirmar que determinado projeto contribui para metas do ODS 4 . O cumprimento do objetivo depende de esforços amplos de governos e diferentes setores da sociedade.











