Dia do Voluntariado: como doar tempo e talento pode transformar a vida de um jovem
No Brasil, 28 de agosto é o Dia Nacional do Voluntariado, instituído pela Lei nº 7.352/1985. A data chama atenção para uma forma de participação social que não depende necessariamente de dinheiro: oferecer tempo, conhecimento e experiência a uma causa.
O voluntariado faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Segundo a pesquisa Voluntariado no Brasil, edição 2026, 60% dos brasileiros com 16 anos ou mais já realizaram alguma atividade voluntária ao longo da vida — ou seja, 3 em cada 5 brasileiros.
Para quem quer ser voluntário, porém, a melhor pergunta não é apenas "o que eu gostaria de fazer?". É também: do que essa organização realmente precisa e como aquilo que sei pode contribuir?
O que é trabalho voluntário?
A Lei nº 9.608/1998 define serviço voluntário como uma atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública ou instituição privada sem fins lucrativos, nas condições previstas pela legislação.
Isso pode assumir formatos muito diferentes. Uma pessoa pode apoiar um evento, conduzir uma oficina, participar de uma mentoria, compartilhar conhecimentos técnicos ou colaborar regularmente com um projeto.
O ponto central é que voluntariado não deve funcionar como substituição de trabalho remunerado nem ser criado apenas para atender à vontade de quem quer ajudar. Uma boa experiência começa pelo encontro entre uma necessidade existente e aquilo que a pessoa voluntária consegue oferecer.
Como ser voluntário de uma forma que realmente ajude?
Você não precisa ter várias horas livres por semana para participar. Existem atividades pontuais e outras que exigem continuidade. O que faz diferença é combinar expectativas desde o início.
Antes de assumir um compromisso, vale considerar:
- Quanto tempo você realmente consegue disponibilizar
- Se procura uma atividade pontual ou recorrente
- Que conhecimentos e experiências pode compartilhar
- Que tipo de atividade a organização está buscando
- Se consegue manter o compromisso pelo período combinado
Uma pessoa com experiência em recursos humanos, por exemplo, pode contribuir em uma conversa sobre currículo e processos seletivos. Alguém de tecnologia pode apoiar uma oficina digital. Outros perfis podem ajudar em atividades culturais, eventos ou ações específicas.
Nem sempre, porém, a primeira ideia será a necessidade mais relevante da organização. Escutar antes de propor evita transformar voluntariado em mais uma tarefa para a equipe que deveria estar sendo apoiada.
Mentoria: compartilhar experiência também pode abrir caminhos
Para alguém que já está no mercado de trabalho, montar um currículo, participar de uma reunião ou receber um feedback podem parecer situações corriqueiras. Para um jovem buscando sua primeira oportunidade, esses códigos ainda estão sendo aprendidos.
Na Vida Jovem, desenvolvemos a Mentoria Social, aproximando jovens de profissionais de empresas parceiras para conversas sobre currículo, postura profissional e situações encontradas no ambiente de trabalho.
A proposta não é colocar uma pessoa na posição de quem possui todas as respostas. Uma boa mentoria amplia referências, cria espaço para perguntas e permite que o jovem tenha contato com experiências profissionais que talvez ainda não façam parte de sua rede.
Voluntariado não é sobre "salvar" jovens
Esse cuidado é especialmente relevante para quem trabalha com pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Jovens não chegam a um projeto social sem conhecimentos, desejos ou capacidades. O que pode estar distribuído de maneira desigual são oportunidades como cursos, acesso à tecnologia, cultura, redes profissionais e experiências no mercado de trabalho.
Por isso, o voluntariado funciona melhor como troca. A pessoa oferece conhecimento e disponibilidade; o jovem continua sendo sujeito de suas próprias escolhas.
Também é importante não prometer empregos, contatos ou resultados que não dependem exclusivamente de quem está participando da atividade. E histórias pessoais, fotografias e experiências de vulnerabilidade nunca devem ser tratadas como uma contrapartida pela ajuda recebida.
Como fazer voluntariado com a Vida Jovem em São Paulo?
Atuamos com jovens de Heliópolis e de outras comunidades de São Paulo por meio de capacitação profissional, cultura e Mentoria Social. Entre 2011 e 2024, mais de 3.500 jovens passaram pelos nossos projetos e 430 foram inseridos no mercado de trabalho .
Pessoas interessadas em compartilhar conhecimentos conosco podem preencher o formulário de voluntariado da Vida Jovem. A partir desse cadastro, conseguimos entender melhor a área de interesse e avaliar oportunidades compatíveis com as necessidades dos nossos projetos.
As possibilidades podem incluir mentorias, oficinas, apoio a atividades e outras colaborações. O formato depende do momento da organização e da disponibilidade de cada pessoa.
E o voluntariado empresarial?
O voluntariado empresarial acontece quando uma empresa cria condições para que seus colaboradores participem de atividades voluntárias junto a organizações ou causas sociais.
Esse modelo já está bastante presente no investimento social corporativo brasileiro. O BISC 2025 registrou 140.963 colaboradores envolvidos em programas de voluntariado nas empresas monitoradas em 2024. Já o Censo Brasileiro de Voluntariado Empresarial 2025 mostrou que educação estava presente em 80% das iniciativas pesquisadas e jovens figuravam entre os públicos atendidos por 90% das organizações participantes.
O dado ajuda a explicar por que juventude e voluntariado corporativo se aproximam tanto. Empresas possuem profissionais com conhecimentos que podem ser úteis em mentorias e formações, enquanto organizações sociais conhecem os jovens, seus territórios e as necessidades dos programas.
O melhor resultado aparece quando esses dois conhecimentos se encontram.
Tempo e talento também ampliam oportunidades
Doações financeiras mantêm equipes, espaços, materiais e projetos. O voluntariado oferece outro tipo de recurso: relações, conhecimento e acesso a repertórios que podem ainda não fazer parte da experiência de um jovem.
Uma conversa não define uma trajetória profissional. Uma oficina não elimina desigualdades. Mas experiências bem estruturadas podem acrescentar referências, conhecimentos e relações a um processo de formação que acontece ao longo do tempo.
No Dia Nacional do Voluntariado, o convite é começar por uma pergunta simples: o que você sabe, quanto tempo consegue oferecer e onde isso pode ser realmente útil?
Se deseja participar conosco, cadastre seu interesse em fazer voluntariado na Vida Jovem.
Perguntas frequentes sobre voluntariado
Como ser voluntário?
Escolha uma causa, conheça organizações que trabalham com ela e procure oportunidades compatíveis com sua disponibilidade e conhecimentos. Antes de começar, entenda responsabilidades, duração e necessidades da atividade.
Qual é o Dia Nacional do Voluntariado?
O Dia Nacional do Voluntariado é celebrado em 28 de agosto no Brasil.
Preciso ter experiência profissional para ser voluntário?
Não. Algumas atividades utilizam conhecimentos profissionais, enquanto outras precisam de apoio em eventos, cultura, organização ou diferentes habilidades pessoais. A necessidade depende de cada projeto.
O que é voluntariado empresarial?
É a participação organizada de colaboradores de empresas em atividades voluntárias realizadas em parceria com organizações ou causas sociais. Pode envolver mentorias, oficinas, ações pontuais e compartilhamento de conhecimentos.
Posso fazer voluntariado com jovens em São Paulo?
Sim. Existem organizações que trabalham com juventude em diferentes regiões da cidade. Na Vida Jovem, recebemos pessoas interessadas em contribuir com nossos projetos voltados a jovens de Heliópolis e outras comunidades de São Paulo.











