Jovem Aprendiz: o que é, como funciona e por que sua empresa deveria investir nisso

O Jovem Aprendiz é uma modalidade de contratação criada para combinar formação profissional e primeira experiência no mercado de trabalho. O adolescente ou jovem possui contrato formal, direitos trabalhistas e previdenciários e participa, ao mesmo tempo, de atividades teóricas e práticas vinculadas a um programa de aprendizagem profissional.

Para adolescentes e jovens, pode ser uma porta de entrada para o primeiro emprego formal. Para as empresas, o programa permite formar profissionais desde o início da vida profissional e, em muitos casos, também atende a uma obrigação prevista na legislação brasileira.

A chamada Lei do Aprendiz ou Lei da Aprendizagem tem como principal referência a Lei nº 10.097/2000, que alterou dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em julho de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego reafirmou que a aprendizagem profissional é destinada, em regra, a pessoas entre 14 anos completos e 24 anos incompletos. Para pessoas com deficiência, não há limite máximo de idade.

Entender como o programa funciona ajuda tanto quem procura a primeira oportunidade quanto empresas que desejam estruturar a contratação de aprendizes com responsabilidade.

O que é o programa Jovem Aprendiz?

O programa Jovem Aprendiz faz parte da política de Aprendizagem Profissional brasileira.

O contrato de aprendizagem é um contrato de trabalho especial, feito por escrito e por prazo determinado, no qual a empresa oferece experiência prática enquanto o jovem participa de uma formação técnico-profissional organizada por uma entidade habilitada.

A CLT determina que essa formação seja compatível com o desenvolvimento físico, psicológico e social do aprendiz. Para que o contrato seja válido, é necessário que o jovem esteja inscrito em um programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de uma entidade qualificada. Caso ainda não tenha concluído a educação básica, também existem exigências relacionadas à matrícula e frequência escolar.

Isso diferencia o Jovem Aprendiz de uma contratação convencional.

O objetivo não é simplesmente ocupar uma vaga com uma pessoa mais jovem. Existe uma proposta formativa associada ao trabalho.

Jovem Aprendiz e estágio são a mesma coisa?

Não. Aprendizagem profissional e estágio são modalidades diferentes, embora ambas possam representar um primeiro contato com o ambiente de trabalho.

O aprendiz possui um contrato de trabalho especial regido pela CLT e participa obrigatoriamente de um programa de aprendizagem profissional.

Já o estágio está relacionado à formação escolar e é regido por legislação própria. Ele não estabelece vínculo empregatício quando todos os requisitos legais são cumpridos.

Outra diferença prática é que a aprendizagem pode alcançar adolescentes a partir dos 14 anos, enquanto as regras para estágio dependem da modalidade de ensino frequentada.

Para empresas, essa distinção importa porque uma vaga de estágio não pode ser utilizada para cumprir a cota de aprendizagem .

Quem pode ser Jovem Aprendiz?

De forma geral, a aprendizagem profissional atende adolescentes e jovens com 14 anos completos e menos de 24 anos .

Para pessoas com deficiência, a política não estabelece limite máximo de idade.

Quando o jovem ainda não concluiu a educação básica, sua permanência na escola também faz parte dos requisitos da contratação. O Ministério do Trabalho e Emprego informa que a contratação deve estar vinculada à participação em um curso de aprendizagem oferecido por uma entidade formadora habilitada.

Na prática, os requisitos de uma vaga também podem variar de acordo com:

  • Atividade profissional prevista no programa
  • Faixa etária permitida para aquela ocupação
  • Horário da escola
  • Local de trabalho
  • Requisitos do curso de aprendizagem
  • Restrições legais aplicáveis a menores de 18 anos

Adolescentes menores de 18 anos possuem proteção específica e não podem ser colocados em atividades perigosas, insalubres, noturnas ou incompatíveis com seu desenvolvimento.

Como funciona o contrato de Jovem Aprendiz?

O contrato de aprendizagem combina duas dimensões: formação teórica e prática profissional .

A parte teórica é desenvolvida dentro do programa de aprendizagem. Já a atividade prática ocorre no ambiente de trabalho, de acordo com o conteúdo e as ocupações previstas naquele programa.

O Ministério do Trabalho e Emprego mantém o Cadastro Nacional de Aprendizagem Profissional (CNAP), onde estão registradas entidades habilitadas e cursos autorizados. Entre as instituições que podem atuar como formadoras estão os Serviços Nacionais de Aprendizagem, escolas técnicas e organizações da sociedade civil que atendam aos requisitos da legislação.

Quanto tempo dura o contrato?

Em regra, o contrato de aprendizagem possui duração máxima de dois anos.

Existem situações específicas previstas na legislação, especialmente relacionadas às pessoas com deficiência, que precisam ser avaliadas conforme cada caso.

Qual é a carga horária do Jovem Aprendiz?

A aprendizagem possui regras próprias para a duração do trabalho.

A CLT estabelece, em regra, limite de seis horas diárias, com possibilidade de chegar a oito horas nas hipóteses previstas pela legislação, considerando também as atividades teóricas do programa. A carga horária precisa respeitar a escolarização e as regras aplicáveis à idade do aprendiz.

Por isso, a empresa não deve definir a carga horária de forma isolada. O contrato e o programa de aprendizagem precisam estar articulados.

Quais são os direitos do Jovem Aprendiz?

O aprendiz possui vínculo formal de trabalho.

Entre os direitos previstos estão:

  • Registro do contrato de trabalho
  • Remuneração nunca inferior ao salário mínimo-hora, salvo condição mais favorável
  • 13º salário
  • Férias
  • Vale-transporte
  • FGTS com alíquota de 2%
  • Direitos previdenciários

O período de férias deve seguir as regras específicas da aprendizagem e, preferencialmente, coincidir com as férias escolares.


Fale com a Vida Jovem para contratar jovens aprendizes para sua empresa.

O que diz a Lei do Aprendiz sobre as empresas?

A legislação estabelece uma cota de contratação de aprendizes para determinados estabelecimentos.

Segundo a CLT, estabelecimentos sujeitos à regra devem contratar aprendizes em número equivalente a 5%, no mínimo, e 15%, no máximo, dos trabalhadores existentes em funções que demandem formação profissional.

Um cuidado aqui evita bastante confusão: esses percentuais não são simplesmente aplicados sobre o número total de funcionários da empresa .

O cálculo considera as funções que integram a base da aprendizagem em cada estabelecimento. O Ministério do Trabalho e Emprego informa atualmente que a obrigatoriedade alcança estabelecimentos com pelo menos sete empregados em funções que demandem formação profissional.

Um exemplo simplificado

Imagine um estabelecimento com 60 funcionários, mas apenas 40 ocupando funções que entram na base utilizada para calcular a cota.

Se esses 40 trabalhadores constituírem efetivamente a base de cálculo, o percentual mínimo de 5% corresponderia a dois aprendizes.

O exemplo é apenas ilustrativo. A definição da base envolve regras trabalhistas e classificação das funções, por isso o cálculo real deve ser feito a partir da legislação vigente, das ocupações existentes e das orientações do Ministério do Trabalho e Emprego.

Toda empresa é obrigada a contratar Jovem Aprendiz?

Não.

Entre os estabelecimentos dispensados da cota obrigatória estão microempresas e empresas de pequeno porte, além de determinadas entidades sem fins lucrativos voltadas à educação profissional que atendam aos requisitos legais.

Mesmo dispensadas, microempresas e empresas de pequeno porte podem contratar aprendizes voluntariamente.

Portanto, existem dois cenários diferentes:

 Empresa sujeita à cota: deve cumprir os percentuais previstos pela legislação.

 Empresa dispensada da cota: pode contratar aprendizes voluntariamente, seguindo as regras da aprendizagem.

Por que uma empresa deveria investir em Jovem Aprendiz?

Cumprir a legislação é o primeiro motivo para empresas sujeitas à cota, mas reduzir o programa a uma obrigação trabalhista desperdiça boa parte de sua proposta.

A aprendizagem profissional permite que a empresa participe da formação de pessoas que estão entrando no mercado de trabalho .

O próprio Ministério do Trabalho e Emprego apresenta a política como uma oportunidade para que empresas contribuam para a formação de mão de obra qualificada.

Há algumas razões para tratar o programa com atenção.

Formação profissional conectada à prática

O aprendiz não chega à empresa com a expectativa de já saber tudo sobre aquela função.

A proposta é justamente construir conhecimento ao longo do contrato.

Isso cria espaço para ensinar processos, rotinas profissionais, ferramentas e comportamentos relacionados ao trabalho dentro de um ambiente protegido e acompanhado.

Entrada estruturada de jovens no mercado

A exigência de experiência anterior é uma das barreiras encontradas por quem busca o primeiro emprego.

A aprendizagem cria uma modalidade específica para esse início profissional.

Para a empresa, significa abrir posições desenhadas para pessoas que ainda estão desenvolvendo repertório profissional, em vez de cobrar de uma vaga de entrada a experiência de alguém que já está há anos no mercado. Parece óbvio, mas o mercado de trabalho às vezes precisa desse lembrete.

Desenvolvimento de futuros profissionais

Uma empresa pode acompanhar a evolução de um jovem durante o período de aprendizagem e conhecer suas habilidades na prática.

O contrato de aprendizagem tem prazo determinado e não obriga a efetivação posterior. Ainda assim, quando existe uma vaga compatível ao final do programa, a organização já conhece aquela pessoa, seu desempenho e sua adaptação ao ambiente profissional.

Diversidade de trajetórias dentro das empresas

Programas de aprendizagem também podem aproximar empresas de jovens de territórios e contextos sociais pouco representados em determinadas estruturas corporativas.

Para isso, o processo seletivo precisa ser coerente.

Se uma vaga de aprendiz exige inglês avançado, experiências anteriores, cursos caros e uma lista de conhecimentos incompatível com uma primeira oportunidade profissional, a empresa pode reproduzir as mesmas barreiras que o programa deveria ajudar a reduzir.

Relação com investimento social e compromissos empresariais

Empresas que possuem programas de responsabilidade social, diversidade, ESG ou relacionamento com comunidades podem articular a aprendizagem a uma política mais ampla de inclusão produtiva.

Essa integração precisa preservar a natureza trabalhista da contratação. O aprendiz é um trabalhador com direitos, não uma pessoa beneficiária de uma ação assistencial dentro da empresa.

Essa distinção melhora tanto a experiência do jovem quanto a qualidade do programa.

Como se tornar Jovem Aprendiz?

Para quem está procurando o primeiro emprego, existem alguns caminhos.

O primeiro é acompanhar vagas oferecidas diretamente por empresas e entidades formadoras.

Também é possível consultar organizações habilitadas para programas de aprendizagem na sua região e acompanhar seus processos seletivos.

Quem ainda frequenta a escola deve manter matrícula e frequência regulares. A contratação precisa estar vinculada a um programa de aprendizagem profissional autorizado.

Também ajuda chegar ao processo seletivo com alguns conhecimentos básicos desenvolvidos:

  • Comunicação
  • Informática
  • Organização
  • Raciocínio lógico
  • Preparação de currículo
  • Comportamento em entrevistas
  • Noções sobre ambiente profissional

É justamente nessa etapa anterior e complementar à entrada no trabalho que organizações sociais podem contribuir.

Como preparamos jovens para o mercado de trabalho na Vida Jovem

Na Vida Jovem, trabalhamos para que adolescentes e jovens tenham acesso a capacitação profissional, educação complementar, cultura, acompanhamento e aproximação com o mercado de trabalho .

Desde 2009, a formação profissional ocupa um lugar central na nossa atuação. Hoje oferecemos capacitações em áreas como:

  • Administração
  • Manutenção de computadores
  • Web Design
  • Hotelaria e Turismo

A formação também inclui conteúdos de inglês, informática, raciocínio lógico, comunicação e práticas de gestão.

Não apresentamos esses cursos como substitutos de um programa formal de aprendizagem profissional. Para que uma contratação seja enquadrada legalmente como aprendizagem, ela precisa estar vinculada a um curso autorizado e a uma entidade habilitada conforme as regras do CNAP.

Nosso trabalho está em preparar jovens para oportunidades profissionais e aproximá-los do mundo do trabalho.

Também desenvolvemos a Mentoria Social, que conecta participantes a profissionais de empresas parceiras para trabalhar temas como currículo, postura profissional e situações encontradas no ambiente de trabalho.

Entre 2011 e 2024, mais de 3.500 jovens passaram pelos nossos projetos e 430 foram inseridos no mercado de trabalho .

Sua empresa pode participar dessa formação

Empresas podem se relacionar com a Vida Jovem de diferentes maneiras.

Podemos construir parcerias relacionadas à preparação profissional, mentorias, aproximação com oportunidades de trabalho e outras iniciativas voltadas aos jovens que atendemos.

Para empresas que precisam cumprir a cota da Lei da Aprendizagem, a contratação deve seguir todos os requisitos legais e estar vinculada a programa e entidade formadora devidamente habilitados.

A parceria conosco pode atuar de maneira complementar: ajudando a aproximar empresas de jovens que já estão desenvolvendo conhecimentos técnicos, comportamentais e repertório para sua entrada no mercado .

Quer se preparar para sua primeira oportunidade?

Se você é jovem e está buscando capacitação para entrar no mercado de trabalho, pode acompanhar as turmas e projetos da Vida Jovem.

Nosso formulário de pré-inscrição reúne opções como Administração, Hotelaria e Turismo, Manutenção de Computadores, Web Design e Jovem Administrador, além das atividades culturais.

A participação nos nossos cursos não garante automaticamente uma vaga como Jovem Aprendiz, mas ajuda a construir conhecimentos e habilidades utilizados em processos seletivos e no ambiente profissional.

Para nós, preparar jovens e abrir oportunidades precisa acontecer dos dois lados.

Jovens precisam ter acesso a formação.

Empresas precisam criar portas de entrada coerentes com quem está começando.

A aprendizagem profissional é uma das maneiras de aproximar esses dois pontos.


Perguntas frequentes sobre Jovem Aprendiz

O que é Jovem Aprendiz?

Jovem Aprendiz é a pessoa contratada por meio de um contrato especial de aprendizagem profissional, que combina experiência prática na empresa com formação teórica vinculada a um programa autorizado. O contrato possui direitos trabalhistas e regras próprias.

Qual é a idade para ser Jovem Aprendiz?

Em regra, a aprendizagem profissional atende pessoas entre 14 anos completos e 24 anos incompletos. Para pessoas com deficiência, não existe limite máximo de idade previsto para ingresso na aprendizagem.

Toda empresa precisa contratar Jovem Aprendiz?

Não. A obrigação depende das características do estabelecimento e da base de funções que demandam formação profissional. Microempresas e empresas de pequeno porte estão dispensadas da cota obrigatória, embora possam contratar aprendizes voluntariamente.

Qual é a cota de Jovem Aprendiz nas empresas?

Para estabelecimentos sujeitos à obrigação, a CLT prevê percentual entre 5% e 15% dos trabalhadores existentes em funções que demandem formação profissional. O cálculo não é feito simplesmente sobre o total de funcionários.

Jovem Aprendiz tem carteira assinada?

Sim. O contrato de aprendizagem é um contrato formal de trabalho e garante direitos trabalhistas e previdenciários. Entre eles estão remuneração, FGTS, 13º salário, férias e vale-transporte.

Jovem Aprendiz e estágio são iguais?

Não. O Jovem Aprendiz possui vínculo empregatício especial regido pela CLT e precisa participar de um programa de aprendizagem profissional. O estágio segue legislação própria e está diretamente vinculado à formação escolar.

A Vida Jovem oferece vagas de Jovem Aprendiz?

Nós oferecemos capacitação profissional, acompanhamento e preparação para a entrada de adolescentes e jovens no mercado de trabalho, além de realizar encaminhamentos e desenvolver parcerias com empresas. Nossos cursos, por si só, não devem ser confundidos com um programa formal de aprendizagem habilitado pelo CNAP. Jovens interessados podem realizar a pré-inscrição nas formações e acompanhar nossas oportunidades.

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