Geração nem-nem: por que milhões de jovens no Brasil não estudam nem trabalham (e o que muda isso)

Todos os anos, milhões de jovens brasileiros enfrentam um desafio que vai muito além da falta de emprego. Eles também estão fora da escola, o que reduz as oportunidades de desenvolvimento, aumenta a vulnerabilidade social e dificulta a construção de um futuro com mais autonomia.


Conhecida como geração nem-nem, essa realidade ainda afeta uma parcela significativa da juventude brasileira. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o problema continua entre os maiores desafios sociais do país e exige ações que vão além de soluções individuais.


Neste artigo, você vai entender quem são os jovens que não estudam nem trabalham, quais fatores explicam esse cenário e como iniciativas de educação, qualificação profissional e inclusão no mercado podem transformar essa realidade.

O que é a geração nem-nem?


O termo geração nem-nem é utilizado para identificar jovens que não estudam nem trabalham durante um determinado período.

Embora a expressão tenha se popularizado na mídia, especialistas alertam que ela pode transmitir uma ideia equivocada de falta de interesse ou esforço por parte desses jovens. Na prática, a maioria enfrenta obstáculos estruturais que dificultam tanto a permanência na escola quanto o acesso ao mercado de trabalho.


Por isso, cada vez mais pesquisadores preferem falar em jovens fora da escola e do trabalho, destacando que essa condição está relacionada a desigualdades sociais, econômicas e educacionais.

Quantos jovens não estudam nem trabalham no Brasil?


O cenário ainda é preocupante.


Segundo os dados mais recentes da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE em 2026, o Brasil tinha 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos em 2025. Desse total, 17,5% não estavam ocupados, não estudavam no ensino regular e nem frequentavam cursos de qualificação profissional, o equivalente a 8,2 milhões de pessoas. O contingente caiu 4,8% em relação a 2024 e 25,9% na comparação com 2019.


Apesar da melhora, o indicador brasileiro continua elevado na comparação internacional. No Education at a Glance 2025, 24% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estavam fora do emprego, da educação ou de programas de formação em 2024, diante de uma média de 14% nos países da OCDE. Entre os países analisados, o Brasil tinha a quarta maior proporção, atrás apenas de África do Sul, Costa Rica e Colômbia.


Os números mostram que houve avanço recente, mas milhões de jovens ainda permanecem afastados simultaneamente do trabalho e de oportunidades de formação, reforçando a importância de políticas de permanência educacional, qualificação profissional e transição para o mercado de trabalho

Por que tantos jovens deixam de estudar e trabalhar?


Não existe uma única causa para explicar o fenômeno da geração nem-nem. Na maioria das vezes, diversos fatores se acumulam ao longo da vida.


Entre os principais motivos estão:

  • dificuldades financeiras da família
  • necessidade de trabalhar cedo para complementar a renda
  • evasão escolar
  • falta de oportunidades de qualificação
  • dificuldade para conseguir o primeiro emprego
  • gravidez precoce e sobrecarga de cuidados, especialmente entre as jovens
  • desigualdade racial e territorial


Segundo os dados mais recentes da PNAD Contínua Educação 2025, a necessidade de trabalhar continuou sendo o principal motivo para jovens de 14 a 29 anos abandonarem a escola ou nunca a terem frequentado, mencionada por 43% dos entrevistados. Em 2024, esse percentual era de 42%. Entre os homens, a necessidade de trabalhar foi apontada por 54,2%, enquanto entre as mulheres fatores como gravidez e responsabilidades domésticas também tiveram peso relevante.


Esse dado revela um ciclo difícil de romper: o jovem abandona a escola para tentar gerar renda, mas sem formação encontra empregos precários ou permanece desempregado, reduzindo ainda mais suas perspectivas de crescimento profissional.


Quem é mais afetado?


Os dados mostram que a condição de jovens nem nem no Brasil não atinge todos da mesma forma.


As maiores taxas estão entre:

  • jovens de famílias de baixa renda
  • mulheres, especialmente aquelas que assumem responsabilidades de cuidado
  • população negra
  • moradores de regiões com menor oferta de emprego e educação


Essas desigualdades evidenciam que o problema está ligado a fatores estruturais e não à falta de vontade dos jovens.


Como romper esse ciclo?


A boa notícia é que existem caminhos capazes de mudar essa realidade.


A combinação entre educação, qualificação profissional, apoio social e acesso ao primeiro emprego tem mostrado resultados positivos em diferentes iniciativas pelo país.


Programas de capacitação desenvolvem competências técnicas e socioemocionais, fortalecem a autoestima e aproximam os jovens das oportunidades do mercado de trabalho.


Além disso, políticas que incentivam a permanência na escola reduzem a evasão e ampliam as possibilidades de inserção profissional no futuro.


O papel da sociedade na transformação


Enfrentar o desafio da geração nem-nem não é responsabilidade apenas do poder público.


Empresas, organizações da sociedade civil, escolas e a comunidade também desempenham um papel fundamental na criação de oportunidades para a juventude.


Investir em educação, oferecer programas de formação, ampliar vagas para jovens aprendizes e criar redes de apoio são medidas que contribuem para romper o ciclo de exclusão.


Cada oportunidade criada representa uma chance real de transformar trajetórias.



Como a Vida Jovem ajuda a mudar essa realidade


A Vida Jovem acredita que educação, capacitação e acesso ao mercado de trabalho são ferramentas essenciais para transformar vidas.


Por meio de seus programas, a organização prepara adolescentes e jovens para os desafios do mundo profissional, desenvolvendo habilidades técnicas e comportamentais que aumentam suas chances de conquistar o primeiro emprego.


Esse trabalho já gerou resultados concretos: 430 jovens foram inseridos no mercado de trabalho, demonstrando que, quando existem oportunidades e acompanhamento, o futuro pode ser diferente.


Você também pode fazer parte dessa transformação


Milhões de jovens brasileiros ainda enfrentam dificuldades para estudar e construir uma carreira profissional. Mas essa realidade pode mudar.


Ao apoiar iniciativas que promovem educação, qualificação e inclusão produtiva, você contribui para que mais adolescentes e jovens tenham acesso às oportunidades que merecem.


Conheça o trabalho da Vida Jovem, faça uma
doação ou torne-se parceiro da instituição. Investir na juventude é investir em um futuro com mais oportunidades, desenvolvimento e transformação social para todas as pessoas.

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