Por que consumidores confiam mais em marcas engajadas em causas sociais: o que os dados mostram
Consumidores confiam mais em marcas que atuam em causas sociais porque, hoje, confiança virou critério de compra com o mesmo peso de preço e qualidade, e porque o silêncio de uma marca sobre problemas sociais é lido como omissão. Os dados mais recentes também mostram o outro lado: essa confiança só se sustenta quando o discurso tem prática verificável por trás. Para quem lidera marketing, ESG ou comunicação, a pergunta útil deixou de ser "vale a pena se posicionar?" e passou a ser "como se posicionar de um jeito que resista ao escrutínio?".
Confiança é critério de compra, não atributo de imagem
O Edelman Trust Barometer Special Report 2026: Brand Growth in an Insular World ouviu 17.688 pessoas em 15 países, entre 23 de abril e 11 de maio de 2026, com cerca de 1.200 entrevistas por país (o Brasil está na amostra). Resultado: 88% dizem que confiar na marca é um critério importante ou decisivo de compra, no mesmo patamar de qualidade (89%) e custo-benefício (88%).
O mesmo relatório afirma que o que vozes não pagas dizem sobre uma marca pesa muito mais do que aquilo que a marca diz sobre si mesma. Esse ponto é central para qualquer estratégia ligada a causas: anúncio sobre propósito não gera confiança por conta própria. O que gera é o relato de quem viu o resultado de perto.
O silêncio também comunica (e custa caro)
A edição anterior do estudo de marcas, o Edelman Trust Barometer Special Report 2025: Brand Trust, From We to Me, trouxe números diretos sobre posicionamento social. A pesquisa ouviu 15.042 pessoas em 15 países, incluindo cerca de 1.000 no Brasil, entre 24 de abril e 5 de maio de 2025.
Na média global:
- 53% dizem que, se uma marca não informa o que faz diante de problemas sociais, vão supor que ela não faz nada ou esconde algo. Só 34% presumem que ela faz o bem e prefere não divulgar.
- Entre quem considera que a marca tem obrigação de agir sobre algum tema social, 51% ficariam menos propensos a comprar dela se ela ignorasse essa obrigação, e 51% perderiam a confiança nela.
- 53% dizem estar mais propensos a comprar de uma marca que promove igualdade racial, e 51% de uma marca que combate a desigualdade econômica.
O recorte brasileiro chama atenção. Quando perguntados sobre o que é muito ou extremamente importante que as marcas façam em suas vidas, 81% dos brasileiros escolheram "me ajudar a fazer o bem", ou seja, oferecer um caminho para contribuir com mudanças positivas. A média dos 15 países foi 61%. Em outras palavras, o consumidor brasileiro espera que a marca seja ponte para participação, e não só emissora de mensagem.
O que as pesquisas brasileiras acrescentam
Consumo consciente e propósito na decisão de compra
A Pesquisa Vida Saudável e Sustentável 2022, do Instituto Akatu em parceria com a GlobeScan, com mil entrevistados no Brasil, mostra que 54% dos brasileiros dizem ter suas compras fortemente influenciadas por marcas que desenvolvem programas de reciclagem ou reúso de embalagens e que proporcionam ajuda humanitária. A mesma pesquisa registra que 55% se dizem dispostos a pagar mais por produtos ou marcas mais sustentáveis, cinco pontos a menos do que em 2021. A queda é um alerta útil: a disposição existe, mas não é incondicional.
Quem doa lembra de quem doou
A Pesquisa Doação Brasil 2024, do IDIS, estimou em R$ 24,3 bilhões o volume de doações individuais no país em 2024. Entre as pessoas que doaram para situações de emergência, 59% dizem valorizar e lembrar das empresas que doaram, 66% consideram que doar em emergências é responsabilidade das empresas e 70% acham que as empresas doam pouco.
O mesmo levantamento traz um dado que interessa a qualquer área de ESG: só 30% dos brasileiros acreditam que a maioria das ONGs é confiável, e 49% já deixaram de doar por causa de notícias negativas. Para a empresa, isso significa que a escolha da organização parceira faz parte da própria reputação. Transparência na prestação de contas é requisito, dos dois lados.
O investimento social corporativo está crescendo
O BISC 2025, da Comunitas, com dados de 2024 da rede de 337 empresas e 22 institutos e fundações, registrou R$ 6,206 bilhões em investimento social corporativo, crescimento de 19% acima da inflação em relação a 2023. Os jovens seguem como grupo populacional prioritário desse investimento. As empresas declararam R$ 745 milhões repassados diretamente a organizações da sociedade civil, e a rede apoiou 8.353 OSCs dessa forma.
Ou seja: o setor privado brasileiro já investe em causas sociais em escala. A diferença de confiança aparece em como esse investimento é feito e comunicado.
Onde a confiança se perde: socialwashing e ação pontual
Os mesmos dados que mostram o valor do engajamento explicam por que ele pode sair pela culatra. Se a maior parte do público confia mais no que terceiros dizem do que na publicidade da marca, uma campanha de causa sem lastro vira risco de reputação. É o que o mercado chama de greenwashing, na pauta ambiental, e socialwashing, na pauta social: usar a causa como verniz.
Três sinais costumam denunciar o problema:
Discurso sem prática interna. A marca defende inclusão de jovens de periferia em campanha, mas não tem jovens de periferia em seus programas de aprendizagem ou estágio. A incoerência entre o que se comunica e o que se pratica dentro de casa é a primeira coisa que funcionários e consumidores percebem. Tratamos desse ponto no post sobre tokenismo corporativo e representatividade de fachada.
Ação pontual com comunicação permanente. Uma doação única transformada em meses de conteúdo institucional soa desproporcional. Parcerias de longo prazo geram histórias contínuas, contadas pela organização parceira e pelas pessoas atendidas, que são justamente as vozes não pagas que, segundo a Edelman, mais pesam.
Causa sem métrica. Sem indicadores combinados com a organização parceira (quantas pessoas participaram, quantas concluíram, quantas chegaram a um emprego), a empresa não tem o que mostrar quando alguém pergunta pelo resultado.
Como construir confiança com uma parceria social que resiste ao escrutínio
A partir dos dados, alguns critérios práticos para quem decide onde e como investir:
- Escolha uma causa conectada ao seu negócio. Empresas que contratam, treinam ou dependem de talentos jovens têm na empregabilidade juvenil uma causa com coerência evidente.
- Prefira continuidade a volume. Um compromisso plurianual, mesmo menor, gera mais evidência do que um aporte isolado.
- Envolva as pessoas da empresa. O dado brasileiro da Edelman (81% querem que marcas os ajudem a fazer o bem) vale também para colaboradores. Programas de mentoria e voluntariado qualificado criam relação direta entre equipe e causa.
- Deixe a organização parceira contar a história. Relatos, números e depoimentos publicados pela OSC têm mais credibilidade do que o post institucional da empresa.
- Combine indicadores antes de comunicar. Defina com a parceira o que será medido e quando os resultados serão divulgados.
Como empresas podem atuar com a Associação Vida Jovem
A Associação Vida Jovem atua desde 1987 em Heliópolis e comunidades do entorno, na zona sul de São Paulo, e desde 2009 tem foco na formação profissional de adolescentes de 14 a 17 anos em situação de vulnerabilidade social. Os cursos de capacitação abrangem Administração, Manutenção de computadores, Web design e Hotelaria e Turismo, com inglês, informática, raciocínio lógico, comunicação e visitas técnicas. De 2011 a 2024, foram mais de 3.500 jovens atendidos e 430 inseridos no mercado de trabalho.
Para empresas, há caminhos com continuidade e participação real:
- Parceria institucional, para apoiar os programas de forma contínua, pelo formulário Seja um parceiro da Vida Jovem.
- Mentoria Social, em que profissionais de empresas parceiras trabalham com os jovens temas como postura profissional, currículo e práticas de trabalho. Entenda o formato no post sobre mentoria para jovens.
- Doação direta, pela página de doação da Vida Jovem.
Também é possível apoiar o Jantar e Leilão Beneficente Vida Jovem 2026, que acontece em 24 de outubro, em São Paulo, com a QI Tech como patrocinadora âncora, por meio da doação de itens para o leilão.
Se a sua empresa quer que a associação com uma causa social se traduza em confiança, o ponto de partida é uma parceria que gere resultado acompanhável. Preencha o formulário de parceria da Vida Jovem ou fale com a equipe pelo telefone (11) 2063-1230 ou pelo e-mail contato@vidajovem.org.
Perguntas frequentes
Consumidores realmente compram mais de marcas engajadas em causas sociais?
Os dados indicam influência real, mas condicionada. No Edelman Trust Barometer Special Report 2025, 53% dos entrevistados nos 15 países disseram estar mais propensos a comprar de marcas que promovem igualdade racial. Na pesquisa Akatu/GlobeScan 2022, 54% dos brasileiros disseram que marcas com programas de reciclagem e ajuda humanitária influenciam fortemente suas compras.
Uma marca pode perder confiança por não se posicionar?
Sim. No mesmo relatório de 2025 da Edelman, 53% disseram que, se a marca não informa o que faz diante de problemas sociais, vão supor que ela não faz nada ou esconde algo.
O que é socialwashing?
É o uso de uma causa social na comunicação sem prática correspondente: campanhas sobre inclusão, diversidade ou impacto social que não se refletem nas políticas, nos investimentos ou nas parcerias da empresa.
Parceria de longo prazo ou ação pontual: o que gera mais confiança?
Parcerias contínuas geram resultados mensuráveis e histórias contadas por terceiros, que segundo a Edelman têm mais peso do que a comunicação da própria marca. Ações pontuais podem ter valor, mas oferecem menos evidência para sustentar o discurso.
Como minha empresa pode se tornar parceira da Vida Jovem?
Pelo formulário Seja um parceiro. As opções incluem parceria institucional, Mentoria Social com profissionais da empresa e doação.











