Geração nem-nem: por que milhões de jovens no Brasil não estudam nem trabalham (e o que muda isso)
Todos os anos, milhões de jovens brasileiros enfrentam um desafio que vai muito além da falta de emprego. Eles também estão fora da escola, o que reduz as oportunidades de desenvolvimento, aumenta a vulnerabilidade social e dificulta a construção de um futuro com mais autonomia.
Conhecida como geração nem-nem, essa realidade ainda afeta uma parcela significativa da juventude brasileira. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o problema continua entre os maiores desafios sociais do país e exige ações que vão além de soluções individuais.
Neste artigo, você vai entender quem são os jovens que não estudam nem trabalham, quais fatores explicam esse cenário e como iniciativas de educação, qualificação profissional e inclusão no mercado podem transformar essa realidade.
O que é a geração nem-nem?
O termo geração nem-nem é utilizado para identificar jovens que não estudam nem trabalham durante um determinado período.
Embora a expressão tenha se popularizado na mídia, especialistas alertam que ela pode transmitir uma ideia equivocada de falta de interesse ou esforço por parte desses jovens. Na prática, a maioria enfrenta obstáculos estruturais que dificultam tanto a permanência na escola quanto o acesso ao mercado de trabalho.
Por isso, cada vez mais pesquisadores preferem falar em
jovens fora da escola e do trabalho, destacando que essa condição está relacionada a desigualdades sociais, econômicas e educacionais.
Quantos jovens não estudam nem trabalham no Brasil?
O cenário ainda é preocupante.
Segundo dados do DIEESE, com base na PNAD Contínua do IBGE, cerca de 8,9 milhões de brasileiros entre 14 e 29 anos estavam fora da escola e sem trabalho no segundo trimestre de 2025. Isso representa 17,9% da população nessa faixa etária.
Embora seja o menor índice registrado na última década, o Brasil continua entre os países com maior proporção de jovens nessa situação.
De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da OCDE, o país ocupava, em 2024, a quarta posição entre os países analisados, com aproximadamente 24% dos jovens de 18 a 24 anos fora da escola e do mercado de trabalho.
Esses números mostram que o problema ainda afeta milhões de famílias brasileiras e reforçam a necessidade de políticas públicas e iniciativas sociais voltadas à juventude.
Por que tantos jovens deixam de estudar e trabalhar?
Não existe uma única causa para explicar o fenômeno da geração nem-nem. Na maioria das vezes, diversos fatores se acumulam ao longo da vida.
Entre os principais motivos estão:
- dificuldades financeiras da família;
- necessidade de trabalhar cedo para complementar a renda;
- evasão escolar;
- falta de oportunidades de qualificação;
- dificuldade para conseguir o primeiro emprego;
- gravidez precoce e sobrecarga de cuidados, especialmente entre as jovens;
- desigualdade racial e territorial.
Segundo a PNAD Educação 2024, a necessidade de trabalhar é o principal motivo do abandono escolar, respondendo por cerca de 42% dos casos.
Esse dado revela um ciclo difícil de romper: o jovem abandona a escola para tentar gerar renda, mas sem formação encontra empregos precários ou permanece desempregado, reduzindo ainda mais suas perspectivas de crescimento profissional.
Quem é mais afetado?
Os dados mostram que a condição de jovens nem nem no Brasil não atinge todos da mesma forma.
As maiores taxas estão entre:
- jovens de famílias de baixa renda;
- mulheres, especialmente aquelas que assumem responsabilidades de cuidado;
- população negra;
- moradores de regiões com menor oferta de emprego e educação.
Essas desigualdades evidenciam que o problema está ligado a fatores estruturais e não à falta de vontade dos jovens.
Como romper esse ciclo?
A boa notícia é que existem caminhos capazes de mudar essa realidade.
A combinação entre educação, qualificação profissional, apoio social e acesso ao primeiro emprego tem mostrado resultados positivos em diferentes iniciativas pelo país.
Programas de capacitação desenvolvem competências técnicas e socioemocionais, fortalecem a autoestima e aproximam os jovens das oportunidades do mercado de trabalho.
Além disso, políticas que incentivam a permanência na escola reduzem a evasão e ampliam as possibilidades de inserção profissional no futuro.
O papel da sociedade na transformação
Enfrentar o desafio da geração nem-nem não é responsabilidade apenas do poder público.
Empresas, organizações da sociedade civil, escolas e a comunidade também desempenham um papel fundamental na criação de oportunidades para a juventude.
Investir em educação, oferecer programas de formação, ampliar vagas para jovens aprendizes e criar redes de apoio são medidas que contribuem para romper o ciclo de exclusão.
Cada oportunidade criada representa uma chance real de transformar trajetórias.
Como a Vida Jovem ajuda a mudar essa realidade
A
Vida Jovem acredita que educação, capacitação e acesso ao mercado de trabalho são ferramentas essenciais para transformar vidas.
Por meio de seus programas, a organização prepara adolescentes e jovens para os desafios do mundo profissional, desenvolvendo habilidades técnicas e comportamentais que aumentam suas chances de conquistar o primeiro emprego.
Esse trabalho já gerou resultados concretos: 430 jovens foram inseridos no mercado de trabalho, demonstrando que, quando existem oportunidades e acompanhamento, o futuro pode ser diferente.
Você também pode fazer parte dessa transformação
Milhões de jovens brasileiros ainda enfrentam dificuldades para estudar e construir uma carreira profissional. Mas essa realidade pode mudar.
Ao apoiar iniciativas que promovem educação, qualificação e inclusão produtiva, você contribui para que mais adolescentes e jovens tenham acesso às oportunidades que merecem.
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ou torne-se parceiro da instituição. Investir na juventude é investir em um futuro com mais oportunidades, desenvolvimento e transformação social para todas as pessoas.











